sexta-feira, 15 de maio de 2026

A VIDA É CURTA...


                                                                *A VIDA É CURTA...* 


Devemos empregar todo o cuidado em não nos tornarmos, por culpa própria, ainda mais fracos do que já somos. Certas faltas, de que não fazemos conta, podem ser a causa de Deus nos negar a luz sobrenatural, tornando-se assim o demónio mais forte contra nós. Tais faltas são:


1. O desejo de passar por sábios ou nobres aos olhos do mundo;


2. Vaidade no vestir;


3. A busca de comodidades supérfluas;


4. O costume de se dar por ofendido com qualquer palavra mais forte ou com uma simples falta de atenção;


5. O desejo de agradar a todos à custa do bem espiritual;


6. A negligência das práticas de piedade por respeitos humanos;


7. As pequenas desobediências;


8. Pequenas aversões contra alguém;


9. Pequenas murmurações;


10. Pequenas mentiras ou gozos;


11. O tempo perdido em conversas ou curiosidades inúteis.


Resumindo: todo o apego à coisas criadas, toda a satisfação do amor próprio podem oferecer ao nosso inimigo ocasião para nos precipitar no abismo; estas faltas cometidas com deliberação, roubar-nos-ão, pelo menos, os socorros abundantes do Senhor, que nos preservam, sem dúvida alguma da queda do pecado.



Santo Afonso Maria de Ligório em 'Escola da Perfeição Cristã'




Via Carpe Diem (Facebook)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A ESMOLA

 



Estende as tuas mãos ao 𝐝𝐞𝐬𝐯𝐚𝐥𝐢𝐝𝐨,

que te dirige a sua triste voz;

dá sempre uma esmola ao mendigo,

pois, 𝐧𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐢𝐧𝐝𝐢𝐠ê𝐧𝐜𝐢𝐚, 𝐞𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚-𝐬𝐞 𝐃𝐞𝐮𝐬.


Enxuga o pranto de 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐩𝐚𝐝𝐞𝐜𝐞,

com a doçura da bondade;

𝐭𝐢𝐫𝐚𝐫 𝐨 𝐞𝐬𝐩𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐟𝐞𝐫𝐞 𝐚 𝐚𝐥𝐦𝐚

é dar esmola, é caridade.


Se, nas tortuosas sendas do mundo,

vês 𝐚𝐥𝐠𝐮𝐦𝐚 𝐚𝐥𝐦𝐚 𝐥𝐨𝐧𝐠𝐞 𝐝𝐨 𝐛𝐞𝐦,

não permaneça mudo o teu lábio;

com o teu 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐞𝐥𝐡𝐨, sê o seu amparo.


Uma palavra, um sorriso,

um olhar, uma atenção;

são as moedas da nossa vida,

é a esmola do coração.


𝐀𝐣𝐮𝐝𝐚 𝐦ú𝐭𝐮𝐚, que é o segredo

de uma existência sempre feliz;

que em toda parte vai repetindo:

«𝐝𝐚𝐫 é 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐨𝐜𝐞 𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐫𝐞𝐜𝐞𝐛𝐞𝐫».


Forma o tesouro que tem a alma,

livre de enganos, livre de afã;

é a 𝐫𝐢𝐪𝐮𝐞𝐳𝐚 que, por fim, a aguarda

𝐚𝐩ó𝐬 𝐚 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐟𝐮𝐠𝐚𝐳.


- MISSIONÁRIOS SALESIANOS. 1936.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

JEJUAR E ABSTER-SE DE CARNE


 JEJUAR E ABSTER-SE DE CARNE... quando manda a Santa Madre Igreja 


O quarto Mandamento da Igreja proíbe-nos comer carne em certos dias e fazer jejum.



Salvo em caso de indulto concedido pela Santa Sé de tempos em tempos (cf. cânon 1253), os dias de JEJUM  COM ABSTINÊNCIA DE CARNE são:


- A quarta-feira de cinzas, as sextas e sábados da Quaresma, as quartas, sextas e sábados das Quatro Têmporas, as Vigílias de Pentecostes, da Assunção da Mãe de Deus, da festa de Todos os Santos e do Natal do Senhor. (No Brasil, também a festa da Imaculada Conceição).



Os dias de JEJUM SEM ABSTINÊNCIA DE CARNE são: 


- Todos os demais dias da Quaresma;


Os dias de ABSTINÊNCIA DE CARNE SEM JEJUM são: 


- Todas as sextas-feitas do ano (cf. cânon 1252 §§1-3).



Cessa a lei do jejum e da abstinência, aos domingos ou festas de preceito, salvo as festas que caem na Quaresma não antecipadas por vigília.


Cessa também após o meio-dia do Sábado Santo (cf. cânon 1252 §4).



 A regra simples para o jejum é tomar UMA ÚNICA REFEIÇÃO COMPLETA, e, se necessário, outras duas menores (lanche) que, juntas, não constituam uma refeição completa. 


A regra simples para a abstinência é não comer carne de animais de sangue quente (carne bovina, suína, frango etc.) e caldo de carne, não estando proibido comer ovos, laticínios ou quaisquer condimentos, ainda que sejam de gordura animal (cf. cânons 1250-1).


A lei do jejum é obrigatória a todos os cristãos dos vinte e um (21) aos sessenta anos (60), e a lei da abstinência começa a obrigar a partir dos sete (7) anos (cf. cânon 1254).



A Igreja ordena a abstinência e o jejum para:

- fazer-nos exercitar a virtude da penitência e mortificação, indispensáveis ao cristão.

-  melhor nos dispor à oração e imitação da vida de Cristo, fazendo assim com que evitemos de cair em novos pecados.



 Resumo


 Jejum: todos os dias da Quaresma, exceto Domingos (sim, os 40 dias!). Uma só refeição completa.


 Dias de abstinência de carne e jejum:

- Quarta-feira de Cinzas;

- Todas as Sextas-feiras da Quaresma;

- Todos os Sábados da Quaresma. 

- Os três dias de Têmporas na Quaresma (dias 25, 27 e 28 de fevereiro).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Tudo que me Acontece é para Meu Bem! (Rm 8,28)

 



Tudo que me Acontece é para Meu Bem! (Rm 8,28)


𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐧ã𝐨 é 𝐏𝐚𝐢? (Mt 7,11) E 𝐮𝐦 𝐩𝐚𝐢 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐚𝐥 𝐚 𝐬𝐞𝐮 𝐟𝐢𝐥𝐡𝐨? 


“Se vós, que sois maus, disse Nosso Senhor, se vosso filho pede um pão lhe dais pedra, ou, se quer um peixe, lhe dais um escorpião?” (Lc 11,11-12)

Quanto mais vosso Pai que está nos Céus! (Mt 7,11)


E essas graças, esses golpes doloridos e reveses da fortuna e calamidades, é tudo, tudo para nosso bem! (Rm 8,28)


𝐍e𝐦 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐛𝐞𝐦 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨𝐫𝐚𝐥, 𝐦𝐚𝐬 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐛𝐞𝐦 𝐞𝐭𝐞𝐫𝐧𝐨! (2Cor 4,17-18) Podemos dizer, cheios de confiança, e resignados, em todos os sofrimentos: Tudo que me acontece é para meu bem! (Tg 1,2-4) 𝐀 𝐃𝐢𝐯𝐢𝐧𝐚 𝐏𝐫𝐨𝐯𝐢𝐝ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐯𝐞𝐥𝐚 𝐩𝐨𝐫 𝐧ó𝐬. (1Pd 5,7)


Deus é Eterno e Misericordioso. (Sl 102,17) [𝐒𝐞𝐧𝐝𝐨] 𝐄𝐭𝐞𝐫𝐧𝐨, 𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐫𝐞𝐳𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐞 𝐧ã𝐨 𝐧𝐨𝐬 𝐞𝐬𝐪𝐮𝐞ç𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐝𝐨𝐬 𝐛𝐞𝐧𝐬 𝐞𝐭𝐞𝐫𝐧𝐨𝐬. (Cl 3,1-2) [Sendo] Misericordioso, inclina-se até a fragilidade, a miséria de nossa vida, para nos socorrer, (Sl 102,13-14) não caindo um fio de cabelo de nossas cabeças sem a Sua Vontade Divina. (Lc 12,7)


Um piedoso fidalgo, conta o 𝐏𝐞. 𝐇𝐮𝐠𝐮𝐞𝐭 (1), tinha o costume de dizer sempre, em todos os acontecimentos da vida:


“𝐓𝐮𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐦𝐞 𝐚𝐜𝐨𝐧𝐭𝐞𝐜𝐞 é 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐦𝐞𝐮 𝐛𝐞𝐦!” (Jó 1,21)


Um dia, no momento de embarcar em viagem para a Inglaterra, caiu e fraturou as pernas. Não deixou de exclamar:


“Tudo que me acontece é para meu bem” (Sl 39,2)


Os amigos, admirados dessa linguagem, disseram-lhe:


“Então será para teu bem quebrarem-se as duas pernas, além de ficar prejudicada a tua viagem de negócios sérios e importantes?”

– “Sim, replicou ele, 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐬𝐚𝐛𝐞 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐟𝐚𝐳! (Is 55,8-9) Creio que tudo aconteceu para meu bem” (Gn 50,20)


Poucos dias depois se soube que 𝐧𝐚𝐮𝐟𝐫𝐚𝐠𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐧𝐚𝐯𝐢𝐨 𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐩𝐢𝐞𝐝𝐨𝐬𝐨 𝐟𝐢𝐝𝐚𝐥𝐠𝐨 𝐝𝐞𝐯𝐞𝐫𝐢𝐚 𝐯𝐢𝐚𝐣𝐚𝐫. (Sl 120,7-8)



- Mons. Brandão, Ascânio. 𝘉𝘳𝘦𝘷𝘪á𝘳𝘪𝘰 𝘥𝘢 𝘊𝘰𝘯𝘧𝘪𝘢𝘯ç𝘢: Pensamentos para cada dia do ano. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 50



Referências: (1) Huguet – La perfection Chrétienne en exemples, S. C. V.



É justamente por Deus ser Pai que Ele é Bom, dando-nos uma 𝕔𝕒𝕤𝕒 (a Santa Igreja Católica), uma 𝐌ã𝐞 (a Santíssima Virgem Maria), 𝐩𝐚𝐢𝐬 𝐦𝐞𝐧𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐞 𝐯𝐢𝐜á𝐫𝐢𝐨𝐬 (o padre, o bispo e, principalmente, o Papa), 𝐢𝐫𝐦ã𝐨𝐬 (sendo Cristo o maior), 𝐩ã𝐨 (a Divina Eucaristia) e 𝐥𝐞𝐢 (a Fé e a Moral infalíveis).


Se o 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬𝐬𝐨𝐫𝐚𝐝𝐨 é a profissão por excelência, a maior e a mais nobre e necessária das profissões, 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐠𝐞𝐫𝐚 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐢𝐬𝐬𝐢𝐨𝐧𝐚𝐢𝐬, 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐧ã𝐨 𝐬𝐞𝐫𝐢𝐚 𝐭ã𝐨 𝐛𝐨𝐦 𝐞 𝐧𝐞𝐦 𝐚 𝐁𝐨𝐧𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐩𝐨𝐫 𝐞𝐱𝐜𝐞𝐥ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐬𝐞, 𝐚𝐥é𝐦 𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐝𝐞𝐫 𝐛𝐞𝐧𝐞𝐟í𝐜𝐢𝐨𝐬, 𝐧ã𝐨 𝐧𝐨𝐬 𝐭𝐨𝐫𝐧𝐚𝐬𝐬𝐞 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐧𝐬 𝐛𝐨𝐧𝐬. As mais das vezes, 𝐬ó 𝐧𝐨𝐬 𝐭𝐨𝐫𝐧𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐜𝐫𝐢𝐬𝐭ã𝐨𝐬 𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐬𝐨𝐛 𝐨 𝐚𝐦𝐚𝐫𝐠𝐨 𝐬𝐚𝐛𝐨𝐫 𝐝𝐨𝐬 𝐫𝐞𝐯𝐞𝐬𝐞𝐬 𝐞 𝐨 𝐝𝐨𝐥𝐨𝐫𝐨𝐬𝐨 𝐩𝐞𝐬𝐨 𝐝𝐨 𝐬𝐨𝐟𝐫𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐞 𝐝𝐚 𝐩𝐫𝐢𝐯𝐚çã𝐨.


Um bom 𝐦𝐚𝐫𝐜𝐞𝐧𝐞𝐢𝐫𝐨, em grau de excelência, não é apenas aquele que faz bons móveis de madeira, mas 𝐚𝐪𝐮𝐞𝐥𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐟𝐚𝐳 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨 𝐛𝐨𝐦 𝐦𝐚𝐫𝐜𝐞𝐧𝐞𝐢𝐫𝐨.


Um bom 𝐩𝐚𝐝𝐞𝐢𝐫𝐨 não é aquele que somente faz bons pães e bolos, mas também aquele que faz outro bom 𝐩𝐚𝐝𝐞𝐢𝐫𝐨.


Deus, sendo a Bondade em 3 Pessoas, 𝐧ã𝐨 𝐬𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚𝐠𝐞 𝐛𝐞𝐦, como também faz com que as criaturas dotadas de inteligência e vontade livre sejam 𝐛𝐨𝐧𝐬 𝐚𝐠𝐞𝐧𝐭𝐞𝐬, 𝐩𝐫𝐚𝐭𝐢𝐜𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐚 𝐛𝐨𝐧𝐝𝐚𝐝𝐞.


Em suma, Deus é bom de uma forma excelente (em máximo grau de bondade), o que implica que Ele não apenas age bem como ainda cria agentes do bem. E nisso está a razão para que o mesmo Deus nos inflija 𝐠𝐨𝐥𝐩𝐞𝐬 e negue muito dos bens 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨𝐬 que imploramos, em vista do gozo do Bem 𝐚𝐛𝐬𝐨𝐥𝐮𝐭𝐨.


É cômodo pedir a Deus 𝐜𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐛𝐨𝐚𝐬 quando, antes, deveríamos impetrar-lhe a graça de 𝐜𝐨𝐧𝐯𝐞𝐫𝐭𝐞𝐫-𝐧𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐛𝐨𝐚𝐬.

Fonte: João Christian Franco


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O Cemitério

 


 0 CEMITÉRIO

 Santo lugar é também o cemitério: 1) pela bênção solene do bispo; 2) pela presença dos restos mortais de muitos santos que gozam da visão beatifica ou ao menos estão certos de alcançá-la.

 a) Cemitério deriva-se da palavra grega koimeterion = lugar de descanso, ou dormitório, de koimasthai = dormir. E' nome usado só pelos cristãos.
 Pois Nosso Senhor chamou de sono a morte natural, tão temida pelos pagãos. Lembra, portanto, a vida futura.

No princípio do cristianismo os fiéis eram sepultados nos jazigos da família ou no cemitério público.
 Mas já nos primeiros tempos havia cemitérios cristãos, e Tertuliano (De anima, c. 52) usa esta palavra.
Em Roma os cristãos eram sepultados em geral nas catacumbas; fora de Roma, em geral nos cemitérios. Mas ocorrem exceções. Desde o século IV se admitiram sepulturas nas igrejas ou próximo das igrejas. Agora só os bispos, abades, cardiais, prelados nullius e pessoas da família real podem ser sepultados na igreja.
 (Cân. 1205.)

b) O nome polvandrum acha-se no rito da bênção do cemitério. Deriva-se de pollys = muitos e anér = homem. Designa o lugar onde muitos homens são sepultados.

c) O têrmo "mausoléu" no sentido do cemitério ocorre no rito da reconciliação do cemitério. Deriva-se do monumento do rei Mausolo da Cária (376-352 a. C.), admirável pela beleza, uma das "sete maravilhas do mundo". Em alguns lugares era costume dos fiéis visitar no domingo, em procissão, o cemitério colocado próximo da igreja. (Vigourel, p. 65.)

d) Nada obsta a que lâmpadas também elétricas ardam sôbre os túmulos, ou êstes estejam enfeitados com flores, contanto que não sejam prejudicadas as pias orações.

Fonte: Curso de Teologia (Padre João Batista Reus S.J)



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

𝐏𝐨𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐃𝐨𝐞𝐧ç𝐚?




 𝐏𝐨𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐃𝐨𝐞𝐧ç𝐚? – Assim como outras adversidades, sofrimentos e privações, a doença nos humilha beneficamente e nos confere o ensejo ou ocasião propícia à santificação, desde que a soframos com gratidão, fidelidade, amor e confiança em Deus (cf. Rm 8,17; Tg 1,2-4; 1Pd 4,13; 2Cor 4,16-17).

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Primeiro, porque Deus a 𝐩𝐞𝐫𝐦𝐢𝐭𝐢𝐮, e tudo que Deus permite, estejamos bem certos disto, é para nosso 𝐛𝐞𝐦 (cf. Rm 8,28). Depois, como a saúde, a doença é também um 𝐝𝐨𝐦 de Deus (cf. Sb 11,25-26; Jo 3,27). Nosso Senhor nô-la dá para:

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1) 𝐏𝐫𝐨𝐯𝐚𝐫 nossa virtude e 𝐜𝐨𝐫𝐫𝐢𝐠𝐢𝐫-𝐧𝐨𝐬 de nossos defeitos (cf. Dt 8,2; Hb 12,5-11);

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2) Mostrar-nos a nossa 𝐟𝐫𝐚𝐪𝐮𝐞𝐳𝐚 e os desabusar (cf. 2Cor 12,7-10; Sl 38,4-5);

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3) Desapegar-nos do 𝐚𝐦𝐨𝐫 à𝐬 𝐜𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐞𝐧𝐚𝐬 e dos 𝐩𝐫𝐚𝐳𝐞𝐫𝐞𝐬 𝐬𝐞𝐧𝐬𝐮𝐚𝐢𝐬 (cf. Cl 3,1-3; 1Jo 2,15-17);

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4) Amortecer o 𝐚𝐫𝐝𝐨𝐫 𝐢𝐦𝐩𝐞𝐭𝐮𝐨𝐬𝐨 e diminuir as 𝐟𝐨𝐫ç𝐚𝐬 𝐝𝐚 𝐜𝐚𝐫𝐧𝐞, nosso grande inimigo (cf. Gl 5,16-17.24; Rm 8,12-13);

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5) Nos lembrar que estamos aqui no 𝐞𝐱í𝐥𝐢𝐨 e que o Céu é a nossa 𝐯𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐩á𝐭𝐫𝐢𝐚 (cf. Fl 3,20; Hb 13,14; 1Pd 2,11);

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6) Dar-nos, enfim, todas as 𝐯𝐚𝐧𝐭𝐚𝐠𝐞𝐧𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐞 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐥𝐡𝐞𝐦 𝐝𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐯𝐚çã𝐨, quando se aceita com 𝐠𝐫𝐚𝐭𝐢𝐝ã𝐨, como um favor especial (cf. Tg 1,12; 1Pd 1,6-7; Cl 1,24) (1).

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Quantas vantagens! E ainda há quem pergunte, com desespero (cf. Sl 21,2; Jó 3,11-12):

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“Por que a doença, meu Deus? Por que sofrer?” (cf. Sl 9,10; Lm 3,31-33).

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“Bem santificada”, escreve o Pe. Saint Jure, “𝐚 𝐝𝐨𝐞𝐧ç𝐚 é 𝐮𝐦 𝐝𝐨𝐬 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐨𝐬𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐯𝐢𝐝𝐚. Muitas vezes, num dia de doença, suportada como é preciso, adiantamos mais na 𝐯𝐢𝐫𝐭𝐮𝐝𝐞 (cf. Rm 5,3-5), pagamos mais à justiça Divina pelos nossos 𝐩𝐞𝐜𝐚𝐝𝐨𝐬 passados (cf. Sl 50,4-6; Mq 7,9), juntamos mais 𝐭𝐞𝐬𝐨𝐮𝐫𝐨𝐬 para o Céu (cf. Mt 6,19-21), tornamo-nos mais 𝐚𝐠𝐫𝐚𝐝á𝐯𝐞𝐢𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬 (cf. Sb 3,5-6) e Lhe damos mais 𝐠𝐥ó𝐫𝐢𝐚 (cf. Jo 9,3; 1Cor 10,31) do que numa semana ou num mês de saúde.” (2)

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E ainda perguntais (cf. Is 45,9):

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“Por que a doença?” (cf. Jó 40,2).

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- Mons. Brandão, Ascânio. 𝘉𝘳𝘦𝘷𝘪á𝘳𝘪𝘰 𝘥𝘢 𝘊𝘰𝘯𝘧𝘪𝘢𝘯ç𝘢: Pensamentos para cada dia do ano. Meditação para o dia 24 de janeiro. Oficinas Gráficas “Ave-Maria”, 1936, p. 33

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Referências:

(1) Pe. Rodrigues – Perf. Christ, 80. tact. c. XVI.

(2) Pe. Saint jure – Com. et. am. N. S. C. I – III – c. XXIV

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