sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

AVISO AOS CATÓLICOS


Padre Dornelles recebeu a ordenação presbiteral pela imposição das mãos de SER Dom Vicente, Cardeal Scherer, no dia 21 de Novembro de 1981, na cidade de Estrela-RS

Alguém mais tem acompanhado o padre Paulo Renato Dornelles, e sua campanha para construir um refúgio escatológico no interior do Rio Grande do Sul ? (RS)
Para quem não o conhece, trata-se de um ex-membro da Arquidiocese de Porto Alegre que há alguns anos abandonou o ministério oficial e passou a atuar independentemente, transmitindo todos os dias, por meio do Facebook e do Youtube [1], missas, orações e sermões, nos quais denuncia o Concílio Vaticano II e suas reformas.
Apesar de nisso se assemelhar a muitos de nós, que nos identificamos com a posição chamada tradicionalista, ou até sedevacantista, e apesar mesmo de rezar a missa no rito antigo e rejeitar a missa nova, o padre Dornelles mantém uma forte veia modernista e carismática, e, dos papas conciliares, rejeita apenas Francisco, sendo devoto de "São" João Paulo II. Ele alerta para a iminência de um grande castigo divino, por exemplo, quando menciona aquela questionável profecia referente a "três dias de trevas". Um outro aspecto da doutrina do padre Dornelles é o alarmismo de caráter científico duvidoso, do tipo que circula na internet. Para terem uma ideia, num vídeo recente ele mencionava a tecnologia 5G como uma ameaça da qual as pessoas teriam que se proteger.

Só recentemente, em agosto, é que foi excomungado pelo arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, por "provocar aversão dos súditos contra a sé apostólica" [2].
As transmissões, que ocorrem pelo menos desde 2013 (isso se não me falha a memória - o Facebook mantém arquivadas somente as publicações a partir de 2015), são feitas desde uma casa - alugada, pelo que sei - na cidade de Teutônia-RS, onde ele vive com algumas pessoas, no que chama de uma "comunidade escatológica". As pessoas dessa comunidade têm variado ao longo dos anos. São, em média, umas seis ou sete. Algumas eu tenho visto desde sempre nas transmissões diárias. Já outros, depois de aparecerem por algum tempo, eu não os via mais. Mas ultimamente a comunidade tem crescido em número.
Em meados de 2017, o padre Dornelles publicou um vídeo [3] convidando as pessoas a fazerem doações substanciais, a venderem tudo o que têm, depositando os valores em sua conta bancária, com o fim de juntar recursos para comprar uma propriedade e nela construir casas, uma fazenda, meios de subsistência, abrigo contra catástrofes, etc - um refúgio, com tudo o que for necessário para as pessoas suportarem, com segurança, um grande e iminente castigo divino, e no qual poderão receber com dignidade a Jesus Cristo, em sua segunda vinda. Em vídeos mais recentes ele conta que já recebeu algumas doações de maior valor, e também que já conseguiu uma propriedade, mas que precisa de mais dinheiro, pois ainda tem tudo por fazer nela. Ao final de todos os vídeos ele pede doações.
Conta que a comunidade está crescendo, e realmente parece que está, pois tenho visto pessoas novas nas transmissões. Recentemente, por exemplo, ele apresentou alguns recém-chegados: um homem que veio do Acre [4], um casal e uma mulher [5]. Alguns desses novos membros, diz ele, já estão na nova propriedade, o refúgio, começando a arrumar as coisas.
Enfim, o caso me parece digno de nota. Não só pela doutrina obtusa do padre Dronelles, mas também pelo modo como o empreendimento do refúgio está sendo conduzido. Do ponto de vista da moral, é temerário exigir das pessoas esse grau de confiança, incitando-as a venderem tudo o que têm e a se entregarem a uma aventura dessas. E do ponto de vista jurídico, também não é o mais adequado captar recursos do modo como ele faz. Não me surpreenderia se tudo isso acabasse na justiça.
Ver também este, de 2019, onde ele renova o pedido de doações, acompanhado de outros dois membros, que ele apresenta como sendo uma religiosa e um seminarista: https://www.youtube.com/watch?v=k2Vre3_tf8k


Texto: Henrique Sv


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Comentários:

1-  Eu também não acho errada a ideia de se fazer um "refúgio" e viver nele, em comunidade com outros cristãos, uma vida mais propícia à oração e à virtude.

Agora, isso deve ser fundado em princípios corretos e também deve ser feito da maneira correta.

Pelo que tenho observado, para o padre Dornelles, a ideia de construir um refúgio não se deve, em primeiro lugar, ao fato de as cidades modernas serem locais muito desafiadores para uma vida de maior piedade. Em vez disso, a principal razão do refúgio seria dispor de um lugar seguro para suportar o cataclismo que estaria por vir. Inclusive, ele dizia que o refúgio deveria ser construído em um lugar elevado, por causa das enchentes. Como se ele soubesse exatamente o tipo de catástrofe que estaria por vir! Somente num segundo plano é que o refúgio seria um lugar de oração - como consequência de as pessoas já estarem ali, reunidas, abrigando-se do cataclismo, rezar e viver piedosamente acabaria sendo o mais lógico a se fazer. Mas eu me permito afirmar que caso o padre Dornelles não acreditasse no tal castigo iminente - se fosse convencido do contrário - a ideia de fazer um refúgio perderia o sentido para ele.

E depois, o modo como ele faz. É extremamente temerário exigir das pessoas, do público em geral que o assiste na internet, que vendam tudo o que têm e se mudem para o refúgio, como se todos devessem ter um tal nível de abnegação e confiança na pessoa dele. Imagine quantas pessoas, de índole mais crédula e sentimental, movidas por um entusiasmo passageiro, poderão realmente dar ele o pouco que têm, e gastar num empreendimento desses? E no caso de se arrependerem, como é que fica? Em outros tempos, a milenar e universal instituição da Igreja, existindo como realidade social e cultural, dava os meios e a segurança jurídica para quem quisesse largar o mundo e viver para Deus. Mas tudo aqui está centrado na pessoa do padre Dornelles.

Se eu quisesse me alongar, daria para mencionar também o perigo de a campanha dele acabar atraindo gente de mau caráter. Imagine o que seria um psicopata ou um tarado vivendo no tal refúgio, em meio a mulheres e crianças.

2 - 
Quando comecei a acompanhar as publicações do padre Dornelles no Facebook, lá por 2013-14, esse abandono do mundo, para viver uma vida mais cristã em comunidade, era o que mais me chamava a atenção no apostolado dele, apesar da veia modernista. Mas isso até ele aparecer com aquele vídeo mandando as pessoas venderem tudo e dar o dinheiro para ele. E também, até eu perceber, conforme comentado acima, que o sentido do refúgio, para ele, é essa obsessão catastrofista.

3 - 
Sobre o castigo divino: podemos considerar que o castigo já está em andamento. O desaparecimento da Igreja como realidade social e cultural é, ele próprio, um castigo, bem como a sua consequência imediata, que é a degradação moral dos povos. Se este castigo irá se desdobrar em guerras ainda mais sangrentas, ou numa intervenção mais direta do Senhor, com catástrofes naturais, isso é coisa que não sabemos em que medida se dará, nem quando, nem como.


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Dornelles fez o Rito da Tonsura em si mesmo e também em um suposto seminarista .

Reza o terço da Divina Misericórdia (devoção modernista).

Segundo Dornelles, Nossa Senhora se faz presente todo mês em sua Comunidade.





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