terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O brilho das Quatro Têmporas

As "Quatro Têmporas"

O brilho das Quatro Têmporas, por Michael P. Foley

As Quatro Estações

As Quatro Têmporas, que caem na quarta-feira, sexta-feira e sábado da mesma semana, ocorrem em conjunção com as quatro estações do ano. O outono [primavera no hemisfério sul, n.d.t.] traz as Têmporas de setembro, também conhecidas como as Têmporas de São Miguel devido a sua proximidade coma Festa de São Miguel em 29 de setembro. O inverno [verão no hemisfério sul, n.d.t.], por outro lado, traz as Têmporas de dezembro, durante a terceira semana do Advento e a primavera [outono no hemisfério sul, n.d.t.] traz as Têmporas da Quaresma, após o primeiro domingo da Quaresma. Finalmente, o verão [inverno no hemisfério sul, n.d.t.] anuncia as Têmporas de Pentecostes, que ocorrem dentro da Oitava de Pentecostes.
Temporas1No Missal de 1962, as Têmporas eram observadas como férias de segunda classe, dias feriais de especial importância que se sobrepunham inclusive a certas festas de santos. Cada dia tem sua Missa própria, todas as quais são bastante antigas. Uma prova de sua antiguidade é que elas são uns dos poucos dias no rito gregoriano (como o Missal de 1962 agora vem sendo chamado) que têm cinco leituras do Antigo Testamento acompanhadas da leitura da Epístola, uma disposição antiga de fato.

Jejum e abstinência parcial durante as Têmporas eram também observados pelos fiéis desde tempos imemoriais até a década de 60. É esta associação de jejum e penitência com as Têmporas que levou alguns a pensarem que seu nome peculiar tivesse algo a ver com cinzas ardentes, ou brasas. Mas o nome em inglês [ember] deriva-se provavelmente de seu título latino, as Quatuor Tempora ou "Quatro Estações".

Apostólicas e Universais

A história das Têmporas leva-nos às origens mesmas do Cristianismo. O Antigo Testamento prescreve um jejum quádruplo como parte de sua consagração do ano em curso a Deus (Zac 8, 19). Além destas observâncias sazonais, judeus piedosos na Palestina do tempo de Jesus jejuavam toda segunda e quinta – daí a vanglória do fariseu sobre o jejuar duas vezes por semana na parábola envolvendo um deles e o publicano (Lc 18, 12).

Os primeiros cristãos corrigiram ambos os costumes. A Didache, obra tão antiga que pode inclusive ser datada antes de alguns livros do Novo Testamento, conta-nos que os cristãos palestinos no primeiro século jejuavam todas as quartas e sextas: quartas porque é o dia em que Jesus foi traído e sextas porque é o dia em que Ele foi crucificado. O jejum de quartas e sextas de tal forma fizeram parte da vida cristã que uma palavra em gaélico, Didaoirn, significa literalmente "o dia entre os jejuns".

No século terceiro, os cristãos em Roma começaram a destinar alguns destes dias à oração sazonal, em parte como imitação do costume judeu e em parte como resposta às festas pagãs que ocorriam por volta da mesma época. Assim nasceram as Têmporas. E depois que o jejum semanal tornou-se menos frequente, foram as Têmporas que permaneceram como testemunho evidente de um costume que remonta aos próprios Apóstolos. Ademais, ao modificando-se os dois jejuns judeus, as Têmporas encarnam a declaração de Cristo de que Ele não veio para abolir a Lei mas para cumpri-la (Mt 5, 17).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

CORES LITÚRGICAS. III Domingo do Advento

No Advento a cor litúrgica é o roxo, que é usado desde as I Vésperas do I Domingo do Advento até a última missa que antecede a da Noite de Natal. Nesse período, só é usada outra cor para festas e solenidades como a Imaculada Conceição (branco) e o III Domingo do Advento (Gaudete), quando, à semelhança do IV Domingo da Quaresma (Laetare), se usa o rosa, que é uma cor intermediária entre oroxo (Quaresma e Advento) e o branco (Natal e Páscoa), e representa a alegria que se aproxima. 

A Igreja pós-conciliar tem proposto, em sua sanha de desfigurar a Liturgia, que, no Advento, se substitua a cor roxa por outra mais alegre, como o rosa ou o lilás, com o pretexto de que o Advento é um período de alegria para a Igreja. 


ROSA. É fato que o roxo se relaciona tanto com a penitência quaresmal, quanto com a sobriedade e preparação próprios do tempo do Advento. De mais a mais, o rosa já tem seu lugar na Liturgia, como já dito acima, no Domingo Gaudete e no Domingo Laetare. Estender o seu uso para todo o período do Advento tiraria o sentido e a razão destes dois domingos, que possuem sua própria liturgia e marcam os dias de júbilo dentro de tempos particularmente sóbrios.  

LILÁS. Os modernistas defendem o lilás para preservar os domingos de rosa, e viria como uma cor intermediária entre o rosa e o roxo. Sobre isso:

1) uma vez que o rosa é cor intermediária entre roxo e branco, a confusão gerada por tanto "intermediarismo" nas cores já seria um bom motivo para não utilizá-lo. 

2) o lilás não é cor do Rito Romano e sua introdução nos paramentos litúrgicos constituiria um abuso grave, tão grave quanto o uso do laranja. 

3) trata-se de um artificialismo; os fiéis não relacionam o lilás com preparação para o Natal, mas o roxo. 

Para concluir, se alguma paróquia precisa realmente da invenção de uma cor litúrgica criadaex nihil para entender que Quaresma não é Advento, essa pobre comunidade necessita,urgentemente, de uma boa catequese litúrgica. 

Fonte:http://farfalline.blogspot.com.br/

domingo, 14 de dezembro de 2014

Como preparar-se para o Natal?


Por São João de Ávila, sermão pregado no terceiro Domingo do Advento. 

Uma palavra para todos os que quiserdes receber a Deus neste Natal: - "Padre, eu amo a Deus, que farei?" Se tiverdes a casa suja, varrei-a; se houver poeira, pegai em água e molhai-a. 

Haverá aqui alguns que não varrem a casa há dez meses ou mais, Existirá mulher tão desleixada que, tendo uma marido muito asseado, fique dez meses sem varrer a casa? Há quanto tempo não vos confessais? Irmãos, não vos pedi na Quaresma passada que vos acostumásseis a confessar-vos algumas vezes no ano? Pelo menos no Natal, nos dias de Nossa Senhora e em outras festas religiosas importantes do ano, mas penso que vos esquecestes. Praza a Nosso Senhor que não vos exijam contas disso no dia do Juízo. E se disserdes então: - "Eu não sabia, por isso não me confessei", dir-vos-ão: - "Bem que vo-lo disseram, bem que vo-lo gritaram, muito se afadigaram em alertar-vos; agora de nada serve puxar os cabelos porque antes não o quisestes fazer".

Irmãos, pecamos todos os dias. Se até hoje fostes preguiçosos em varrer a vossa casa, pegai agora na vassoura, que é a vossa memória. Lembrai-vos do que fizestes ofendendo a Deus e do que deixastes de fazer a seu serviço; ide ao confessor e jogai fora todos os vossos pecados, varrei e limpai vossa casa. 

Depois de varrida, molhai o chão. - "Mas não posso chorar, padre". E se vos morre o marido ou o filho, ou se perdeis um pouco do vosso dinheiro, não chorais? - "Claro que choro, padre, e tanto que quase chego ao desespero". Pobres de nós que, se perdemos um pouco de dinheiro, não há quem nos possa consolar, mas se nos sobrevém um mal tão grande como perder a Deus - pois isso acontece a quem peca -, o nosso coração é de tal forma uma pedra que são necessários muitos pregadores, confessores e admoestadores para que sintamos um pouco de tristeza! Mais valorizas o real perdido do que o Deus que perdes. Quando perdes uma quantia insignificante, não há quem consiga consolar-te, nem frades, nem padres, nem amigos, nem parentes. E, no entanto, não te entristeces quando perdes nada menos que o próprio Deus. Que significa isto, senão que tens tanta terra nos canais entre o coração e os olhos que a água não pode passar? 

- "Que me leva a ter o coração tão duro e a não poder chorar?" De todos os tempos apropriados que há ao longo do ano, este é o mais apropriado para os duros de coração. Valorizai o tempo santo em que estamos, considerai esta semana como a mais santa de todas do ano. É uma semana santa, e se a aproveitardes bem e vos preparardes como já sabeis, certamente vos será tirada a dureza do coração.  

Livro: O Mistério do Natal, São João de Ávila.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Calendário Litúrgico Dezembro 2014



DEZEMBRO 2014
01
Segunda-feira
Féria do Advento
02
Terça-feira
03
Quarta-feira
04
Quinta-feira
05
Sexta-feira
1ª Sexta-feira do mês
06
Sábado
1ª Sábado do mês
07
Domingo
2º Domingo do Advento    -   começa a Novena do Enxovalzinho de Jesus
08
Segunda-feira
e Novenas e Tríduo aqui. 
09
Terça-feira
Féria do Advento
10
Quarta-feira
11
Quinta-feira
12
Sexta-feira
13
Sábado
14
Domingo
3º Domingo do Advento: Sermão de São João de Ávila
15
Segunda-feira
Féria do Advento
16
Terça-feira
S. Eusébio, Bispo e Mártir  * -   Começam três novenas (vide abaixo n. 11)
17
Quarta-feira
TÊMPORAS – jejum e abstinência
Leia mais aqui * 
18
Quinta-feira
Féria do Advento
19
Sexta-feira
TÊMPORAS – jejum e abstinência
20
Sábado
Sábado das Têmporas do Advento * 
Vigília de S. Tomé, Apóstolo
TÊMPORAS – jejum e abstinência
21
Domingo
4º Domingo do Advento
22
Segunda-feira
Féria do Advento - Começa Tríduo para a Festa do Natal
23
Terça-feira
Féria do Advento
24
Quarta-feira
Lembre-se que é dia de abstinência!
25
Quinta-feira
26
Sexta-feira
27
Sábado
28
Domingo
Domingo da Oitava de Natal
29
Segunda-feira
30
Terça-feira
VI dia da Oitava de Natal
31
Quarta-feira
S. Silvestre I, Papa e Confessor

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Por que razão as mulheres devem cobrir a cabeça na igreja?


Por que razão as mulheres devem cobrir a cabeça na igreja?

1. A razão primeira, imediata, suficiente e determinante é que é a lei de Deus e da Igreja.

– É a lei de Deus, que o Espírito Santo revelou por São Paulo: “Quero que saibais que o cabeça de todo homem é Jesus Cristo, o cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Jesus Cristo é Deus. Todo homem que reza ou profetiza com a cabeça coberta, desonra a sua cabeça. E toda mulher que reza ou profetiza, sem véu sobre a cabeça, desonra a sua cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, que ela tenha os cabelos raspados. […] Por isso que a mulher deve, por causa dos Anjos, trazer a marca de sua dependência sobre a cabeça. […] Julgai vós mesmos: é decente que a mulher faça oração a Deus, não tendo véu? […] E, se alguém quiser contestar, nós não temos tal costume, nem a Igreja de Deus” [I Cor XI, 3-16].

– É a lei da Igreja, promulgada pelo primeiro sucessor de São Pedro, o Papa São Lino (dixit o breviário na festa dele, a 23 de setembro); esta lei tem estado em vigor sem interrupção na Igreja, como testemunha o direito canônico de 1917: “Ao assistirem às funções sacras, quer na igreja ou fora dela, os homens devem ter a cabeça descoberta […]. Quanto às mulheres, devem elas ter a cabeça coberta e estar modestamente vestidas, principalmente ao se aproximarem da santa Mesa” [cânon 1262 § 2].

Eu sei, esta lei não foi retomada no código de 1983: mas será razão para esquecer São Paulo (que não foi abolido, e cuja ordem perdura) e vinte séculos de sabedoria (que nos falta cruelmente)?

Para que esta lei obrigue, não é necessário que a compreendamos. Por isso que digo que esta primeira razão é suficiente e determinante.
Mas é desejável procurar compreender as razões de uma lei, para melhor obedecer a ela, entrando assim no espírito dele e se conformando com maior inteligência e docilidade à vontade do legislador.

2. As razões de ser desta lei divina são indicadas pelo Apóstolo São Paulo: …em sinal de sujeição …por causa dos Anjos.
Estas duas razões deixam prever, ainda mais em nosso mundo acometido de igualitarismo e de impudicícia, um bocado de incompreensão.

Sujeição.

Há uma sujeição da mulher ao homem que é gloriosa, e outra que é um dos castigos do pecado original.

Quanto à primeira, São Paulo diz que a mulher é a glória do homem… a santidade da sua alma, a honra do seu lar, a educadora dos seus filhos, a guardiã dos seus costumes, a doçura de sua vida: glória insubstituível, glória que fez e que faz a sociedade cristã, glória que é penhor também de uma sociedade simplesmente humana (ao absorver a segunda sujeição), glória que um tolo igualitarismo destrói, para máximo detrimento de todos.

Quanto à segunda, ela é efeito do desregramento da carne (esta concupiscência é em geral bem mais viva no homem) e do desregramento da força, que se torna brutalidade e apetite de dominação. A graça de Deus liberta do pecado; ela não liberta (neste mundo) da condição de pecador sob o jugo das consequências do pecado – mas ela suaviza este jugo e faz dele ocasião de mérito.

A virgindade consagrada torna uma mulher diretamente glória e esposa de Jesus Cristo, e a coloca numa condição em que a segunda sujeição desaparece.


Por causa dos Anjos.

– Por causa dos bons Anjos, pois eles são ministros da presença de Deus, santificadores dos lugares onde Deus está mais particularmente presente (presença eucarística nas igrejas, presença espiritual nos locais de oração pública [ali onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou no meio deles]) e executores de Sua lei;

– por causa dos ministros de Deus, cuja visão não deve ser turbada nas cerimônias santas;

– por causa dos homens, que devem tender a levar uma vida angélica, dominando a concupiscência, e não o conseguem a não ser que as mulheres estejam vestidas com pudor e modéstia;

– por causa dos anjos maus, que excitam nas mulheres o desejo de agradar, de ser admiradas, de ser glorificadas (em público, elas arriscam muito de o ser por algum outro que não o seu esposo). Frequentemente as mulheres creem que esse desejo bem feminino de agradar seja anódino ou inocente, esquecendo-se de que ele tem como correlativo o desejo bem masculino de conquistar. Todas as barreiras postas na sociedade cristã são feitas para que esses dois desejos não se encontrem, e não possam exprimir-se fora do matrimônio legítimo.


Por que então cobrir a cabeça? Por uma razão simbólica, dada por São Paulo (marca de dependência), e por uma razão real, que se une àquela (a cabeleira é o ornamento da mulher, que atrai os olhares). Não quer dizer isto que o resto do corpo possa estar descoberto, não! As partes visíveis do corpo humano são aquelas menos marcadas pela animalidade (e, portanto, as menos feridas pelo pecado original): o rosto, que é o reflexo da alma espiritual, e as mãos, que são os instrumentos da natureza inteligente.

______________
PARA CITAR ESTA TRADUÇÃO:
Rev. Pe. Hervé BELMONT, Por que razão as mulheres devem cobrir a cabeça na igreja?, 1ª. redação s.d./republicado pelo A. em dez. 2005; trad. br. por F. Coelho, dez. 2014, blogue Acies Ordinata,http://wp.me/pw2MJ-2te
de: “Retour sur les têtes couvertes…”, 3 dez. 2005, antigamente (não mais) em: « archives.leforumcatholique.org/consulte/message.php?arch=2&num=161354 »

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Doutrina da Igreja sobre a canonização dos Santos



No verbete “Infallibilità”, a Enciclopedia Cattolica escreve:
“No objeto secundário [da infalibilidade] estão reunidas aquelas que, com termo genérico, se chamam ‘verdades conexas’ [com a Revelação]. (…) As classes mais consideradas destas verdades conexas são: a das conclusões teológicas, a dos fatos dogmáticos, a da canonização, a da legislação eclesiástica. A conexão da canonização com a Revelação se manifesta pelo fato de que ela nada mais é que a aplicação concreta de dois artigos de fé, o sobre o culto dos santos, e o da comunhão dos santos, além de que interessa à própria moral religiosa cristã, sendo o canonizado proposto também como modelo de perfeita virtude”.

No verbete “Canonizzazione”, lê-se:
“É, porém, doutrina comum dos teólogos que o Papa na canonização é deveras infalível, tratando-se de um ato importantíssimo atinente à vida moral da Igreja universal, dado que o santo não é somente proposto à veneração por gozar da glória celeste, mas também por ser modelo das virtudes e da santidade real da Igreja. Ora, seria intolerável se o Papa, numa declaração dessas que implica toda a Igreja, não fosse infalível. Essa doutrina resulta de não poucas bulas de canonização, inclusive da Idade Média; das deduções dos canonistas, desde a Idade Média; e dos teólogos desde Santo Tomás de Aquino (1). Bento XIV (2) ensina que é certamente herético e temerário ensinar o contrário”.

Poderíamos ajuntar citações atrás de citações; o que acaba de ser dito parece-nos, todavia, suficiente para concluir que um católico não pode pôr em dúvida – como, ao invés, faz a Fraternidade – a infalibilidade do Papa nas canonizações dos Santos.

Notas
1) O ensinamento de Santo Tomás se encontra na Quodlibetale IX, art. 16 (Utrum omnes sancti qui sunt per Ecclesiam canonizati sint in gloria, vel aliqui eorum in inferno) e é admiravelmente comentado por Bento XIV em seu De servorum Dei…

2) Papa Bento XIV é a máxima autoridade na matéria por causa de sua obra monumental, escrita quando ele era Cardeal Arcebispo de Bologna, intitulada De servorum Dei beatificatione et beatorum canonizatione. A questão da infalibilidade da canonização é tratada no Livro I, nos capítulos 43 (De ecclesiastico judicio, quod interponitur in Sanctorum Canonizatione: utrum sit infallibile), 44 (In quo repelluntur opposta iis, quae dicta sunt in Capite præcedenti), 45 (An sit de fide Summum Pontificem errare non posse in Canonizatione Sanctorum; et an de fide sit, Canonizatum esse sanctum) [notemos que, para uma escola teológica – que não seguimos –, nem tudo aquilo que é ensinado infalivelmente deve ser crido com fé divina: algumas verdades deveriam ser cridas somente com fé eclesiástica: daqui a divisão de capítulos feita por Bento XIV, que se indaga primeiro se o Papa é infalível nas canonizações, e depois se aquilo que é por ele assim definido é de fé]. Bento XIV sustenta a opinião segundo a qual o Papa é infalível ao canonizar os Santos, e que isso é de fé, razão pela qual quem o negue seria herege. Em vista, porém, das opiniões diversas, conclui (livro I, c. 45, n. 28) expondo aquilo em que todos concordam, e que se deve crer como mínimo, a saber que: “quem ousasse sustentar que o Papa errou nesta ou naquela Canonização, ou que este ou aquele Santo canonizado pelo Papa não deve ser venerado com culto de dulia, se não for herege[como pensa nosso autor, o Papa Bento XIV], ao menos deve ser chamado (como admitem inclusive os que ensinam não ser de fé que o Papa é infalível na Canonização dos Santos, ou que não seja de fé que este ou aquele Canonizado é Santo) temerário, que escandaliza toda a Igreja, injuria os Santos, favorece os hereges que negam a autoridade da Igreja na Canonização dos Santos, tem odor de heresia, enquanto abre caminho para os infiéis zombarem dos fiéis, sustenta uma proposição errônea e merece as mais graves censuras” (o DTC [Dicionário de Teologia Católica], no verbete “Canonisation”, adota esse juízo minimalista).

Fonte:https://aciesordinata.wordpress.com

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Extra Ecclesiam nulla salus: Fora da Igreja não há salvação

"Não há salvação fora da Igreja". (São Cipriano)
Credo de Santo Atanásio (séc. IV), oficial da Igreja Católica: "Todo aquele queira se salvar, antes de tudo é preciso que mantenha a fé católica; e aquele que não a guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre (...) está é a fé católica e aquele que não crer fiel e firmemente, não poderá se salvar".
Papa Inocêncio III: "De coração cremos e com a boca confessamos uma só Igreja, que não de hereges, só a Santa, Romana, Católica e Apostólica, fora da qual cremos que ninguém se salva". (Denzinger, 423)
IV Concílio Infalível de Latrão (1215), cânon I:"...Há apenas uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém é salvo...". Canon III: "Nós excomungamos e anatematizamos toda heresia erguida contra a santa, ortodoxa e Católica fé sobre a qual nós, acima, explanamos...".(Denzinger, 430).
Papa Bonifácio VIII: "Por imposição da fé, estamos obrigados a crer e manter que há uma só e Santa Igreja Católica e a mesma apostólica e nós firmemente cremos e simplemente a confessamos e fora dela não há salvação nem perdão dos pecados. (...) Submeter-se ao Romano Pontífice, o declaramos, o decidimos, definimos e pronunciamos como de toda necessidade de salvação para toda criatura humana".(Denzinger, 468-469)
“Há um caminho real’, que é a Igreja católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando-se para a direita ou para a esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros. Eia, pois, servos de Deus e filhos da Igreja santa de Deus, que conheceis a regra segura da fé, não deixeis que vozes estranhas vos apartem dela nem que vos confundam as pretensões das erroneamente chamadas ciências” (Santo Epifânio).
A Igreja é toda santa (Ef 5, 27). "A esposa de Cristo não pode ser adulterada, ela é incorrupta e pura, não conhece mais que uma só casa, guarda com casto pudor a santidade do único tálamo." (S. Cipriano, Sobre a Unidade da Igreja, cap. 4).
"Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja católica" (Santo Agostinho).  
"Temos o Espírito Santo na medida em que amamos a Igreja". (Santo Agostinho).
"Em tudo me sujeito ao que professa a Santa Igreja Católica Romana, em cuja fé vivo, afirmo viver e prometo viver e morrer" (Santa Teresa D'Ávila).

“Somente a ortodoxia católica faz o homem feliz: é como os muros postos ao redor de um precipício onde pode brincar uma porção de crianças” (Chesterton)