segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Condenação da Igreja ao Papa Honório I como herético

Herege Honório I
III Concílio de Constantinopla (6º ecumênico): 7 nov. 680 – 16 set. 681

Na “Fides papae” do Liber diurnus Romanorum pontificum (fórmula 84 Codex Vaticanus) é apresentada, para ser professada, a seguinte condenação de Honório: “[Os padres conciliares] ligaram, todavia, os autores da nova doutrina, Sérgio e Pirro, ... juntamente com Honório, que fomentou suas distorcidas afirmações, ... com o vínculo do anátema perpétuo”. (Ed. H. Foerster [Bern 1958] 155 ad fol. 78v. Cf. os textos paralelos pp. 230 e 349)

Denzinger, 550-552:

Condenação dos monotelistas e do Papa Honório I

“Tendo examinado as cartas dogmáticas escritas por Sérgio, a seu tempo patriarca desta cidade imperial protegida por Deus, a Ciro, que então era bispo de Fásis, a Honório, que foi Papa da antiga Roma, bem como a carta com a qual este último, isto é, Honório, respondeu a Sérgio [cf. *487], e tendo constatado que não são conformes aos ensinamentos apostólicos e às definições dos santos concílios e de todos os ilustres santos Padres, e que ao contrário seguem as falsas doutrinas dos hereges, as refutamos todas e as abominamos como nocivas às almas.

Quanto àqueles cujas ímpias doutrinas rechaçamos, isto é, estes mesmos, julgamos que até os seus nomes devem ser banidos da santa Igreja de Deus; isto é, de Sérgio ... que ousou sustentar essa doutrina nos seus escritos; de Ciro de Alexandria, de Pirro, Paulo e Pedro, os quais também tiveram o encargo episcopal na sé desta cidade protegida por Deus e seguiram as doutrinas deles; e estas supracitadas pessoas, Agatão, o santíssimo e três vezes beatíssimo Papa da antiga Roma, as lembrou na carta ao ... imperador [*542-545] e as rechaçou por defenderem pensamentos contrários à nossa reta fé; e determinamos que sejam também submetidas ao anátema.

Concordamos em expulsar da santa Igreja de Deus e em submeter ao anátema também Honório, que foi Papa da antiga Roma, porque, ao examinar os escritos que ele enviou a Sérgio, constatamos que aderiu em tudo ao seu pensamento e confirmou as suas ímpias doutrinas.”

Portanto, aqui Agatão III condena formalmente Honório I, feito papa, como herético pelas suas correspondências a Sérgio.

As decisões do III Concílio de Constantinopla, pelo Papa Agatão III, foram confirmadas por Leão II, através da Carta “Regi regum” ao imperador Constantino IV, em agosto de 682:

Aqueles, porém, que se tinham mostrado inimigos, contrários à pureza da fé apostólica ... foram punidos com a condenação, isto é, Teodoro de Faran ... junto com Honório, que não apagou logo no início a chama do ensinamento herege, como deveria ter acontecido por parte da autoridade apostólica, mas com sua negligência a favoreceu

Notemos aqui que se Honório fora condenado por Agatão III por suas ações heréticas, Leão II o condena pela sua omissão, favorecendo a difusão da heresia. 

Confirmação das decisões do Concílio de Constantinopla III contra os monotelistas e o Papa Honório I

Denzinger 563:

“E igualmente anatematizamos os autores do novo erro, isto é Teodoro, bispo de Faran, Ciro de Alexandria, Sérgio, Pirro ... e também Honório, que não iluminou esta Igreja apostólica com a doutrina da tradição apostólica, mas tentou subverter a imaculada fé com ímpia traição [versão grega: permitiu que a imaculada fosse manchada por ímpia traição].”

Se tais condenações foram reservadas a Honório, o que no mínimo seria reservado aos papas do Concílio Vaticano II pelos seus escritos heréticos, seus simbólicos gestos de apostasia e suas negligências para com heréticos?  Observemos que Leão II, ao condenar Honório I, admite que traidores possam usurpar da Sé Romana.

E o dogma da infalibilidade papal?

O dogma da infalibilidade foi proclamado no Concílio Vaticano I (1869-1870), pelo Papa Pio IX, nos seguintes termos:

“O Romano Pontífice, quando fala ex cathedra – isto é, quando, no desempenho do múnus de pastor e doutor de todos os cristãos, define com sua suprema autoridade apostólica que determinada doutrina referente à fé e à moral deve ser sustentada por toda a Igreja -, em virtude da assistência divina prometida a ele na pessoa do bem-aventurado Pedro, goza daquela infalibilidade com a qual o Redentor quis estivesse munida a sua Igreja quando deve definir alguma doutrina referente à fé e aos costumes; e que, portanto, tais declarações do Romano Pontífice são, por si mesmas, e não apenas em virtude do consenso da Igreja, irreformáveis.

[Cânon] Se, porém – o que Deus não permita -, alguém ousar contradizer esta nossa definição seja anátema.” (Denzinger 3074-3075)

Portanto, pelo que podemos observar, os pronunciamentos do Papa são infalíveis e irreformáveis somente quando este fala ex cathedra.  Não significa que os demais pronunciamentos não sejam dignos de prudente observação pelos fiéis, mas que por ponderada meditação de suas consciências alguns destes pronunciamentos podem não ser seguidos, uma vez que nem todos pronunciamentos do Papa são infalíveis e irreformáveis.

Ora, um papa ensina infalivelmente ou desde a Cátedra de São Pedro (ex cathedra) quando amarra os católicos por todo o mundo a uma doutrina sobre fé ou moral que Deus revelou aos homens antes da morte do último apóstolo.

As cartas de Honório I a Sérgio não eram pronunciamentos infalíveis, e isso é fácil de se constatar, considerando que não se endereçavam a toda a Igreja, mas a um clérigo em Constantinopla.  A infalibilidade papal, portanto, não foi ferida de nenhum modo com a condenação formal e reiterada de Honório I pela Igreja.  Esperamos que um futuro papa possa fazer o mesmo com os falsos papas do Vaticano II.

Fonte:
http://roberto-cavalcanti.blogspot.com.br/

3 comentários:

  1. Certamente, os falsos papas e falsos santos J23, P6º e JP2 e o bispo Bergoglio serão igualmente condenados para a glória de Deus, exaltação da Santa Igreja e salvação das almas.

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    1. Só me esqueci de incluir na lista o B16.

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