quinta-feira, 21 de abril de 2016

ESTOU CONDENADA


Esse livrinho foi para muitos, inclusive para nós, uma graça para conversão. Trata-se de uma senhora condenada para o Inferno, onde ela conta o seu trágico fim.

 
ESTOU CONDENADA



Correio da Rainha da Paz – Editora – 20 págs.

 Nihil Obstat - Sac. Ioannes Roatta SSP - 1/6/1967

Imprimatur de Mons. Lafayette - Vig. Geral - 9/6/1967


 

“Com a declaração de que a religião é questão de sentimento, como sempre se dizia no escritório, atirei ao cesto também esta moção de graça, como todas as outras.


Certa vez, você me chamou a atenção porque em vez de uma genuflexão bem feita, fiz apenas uma desajeitada inclinação, dobrando o joelho. Você pensou que fosse preguiça. Não parecia sequer que você suspeitasse que eu desde aquele tempo, já não acreditava mais na presença de Cristo na Eucaristia.


Agora (que estou no Inferno) acredito, mas só naturalmente, com se acredita em um temporal, do qual decorrem os efeitos. Até então, eu estava instalada, propriamente, em uma religião a meu modo. Sustentava a opinião que entre nós, no escritório, era comum, que a alma após a morte reaparece em um outro ser. E deste modo, continuaria a peregrinar sem fim. Com isto, o angustiante problema do além era posto em seu lugar e ao mesmo tempo se tornava inofensivo para mim.


Por que você não me lembrou a parábola do rico epulão e do pobre Lázaro, em que o narrador, Cristo, manda, imediatamente, um para o Inferno e outro para o Céu? (...)


Pouco a pouco, criei para mim mesma um deus. Bastante afastado de mim, para não ter que manter nenhuma relação com ele. Bastante vago para, conforme a necessidade, sem mudar minha religião, deixar-se assemelhar a um deus panteístico do mundo, ou então, para deixar-se poetizar como um deus solitário. Este deus não tinha nenhum céu para presentear-me e nenhum inferno para castigar-me.  Eu o deixava em paz, e ele também a mim. Nisto consistia minha adoração a ele.


‘A gente acredita, de boa vontade, no que nos agrada’. No correr dos anos, me conservei bastante convicta desta religião. Deste modo, podia-se viver. Somente uma coisa teria quebrado a cabeça: uma longa e profunda dor. E esta  não veio!


Compreendi agora o que significa: ‘Deus castiga aqueles a quem Ele ama!’”

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