segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sobre a castidade do padre: Excelência desta virtude, e quanto é necessária ao padre



Em comparação duma alma casta, todas as grandezas e dignidades terrenas são de mui pouco valor1.

A castidade é chamada por S. Pedro Damião "Rainha das virtudes". Quem triunfa do vício contrário à castidade, facilmente triunfa de todos os outros; pelo contrário, quem se deixa dominar da impureza, com facilidade escorrega em muitos outros, como são o ódio, a injustiça, o sacrilégio etc.

A castidade faz do homem um anjo.

Sto. Ambrósio acrescenta que — quem a perdeu é um demônio4. Também com razão são os homens castos comparados aos anjos, que vivem estranhos a todos os prazeres da carne5.

São os anjos puros de sua natureza; os homens são-no por virtude. Segundo Cassiano, esta virtude iguala o homem ao anjo6. Na opinião de S. Bernardo, é só a felicidade e não a virtude que distingue o anjo do homem casto; e acrescenta, — se a castidade do anjo é mais feliz, a do homem é mais gloriosa7.


S. Basílio vai mais longe, dizendo que a castidade torna o homem semelhante ao próprio Deus, que é um espírito puro8.

Tanto a castidade é preciosa, como necessária aos homens para se salvarem; mas é sobretudo indispensável aos padres. Porque preceituou o Senhor aos sacerdotes da antiga Lei tantas vestes e ornamentos brancos, e tantas purificações exteriores? Só por haverem de tocar os vasos sagrados e por serem a figura dos sacerdotes da nova Lei, que haviam de tocar e imolar no altar a carne sagrada do Verbo feito homem. Isto fez dizer a Sto. Ambrósio: Se tanto respeito exigiam as figuras, quanto não exigirá a verdade!9 Além disto, mandou Deus afastar dos altares os sacerdotes habitualmente infeccionados da lepra, símbolo do vício da impureza10. É o que S. Gregório explica: Está dominado de lepra perpétua quem segue os vergonhosos instintos da carne11.

Conforme refere Plutarco, os próprios pagãos exigiam a pureza aos sacerdotes das suas falsas divindades, porque diziam: tudo quanto respeita ao culto dos deuses deve ser puro. E em Platão lemos que os sacerdotes de Atenas, para melhor conservarem a castidade, habitavam em lugares separados do resto dos homens12. Sobre o que Sto. Agostinho exclamava: Que vergonha para os cristãos receberem dos pagãos lições tais!13

Quanto aos sacerdotes do verdadeiro Deus, segundo S. Clemente de Alexandria, só são e se devem dizer verdadeiramente padres os que passam uma vida casta14. E. S. Tomás de Vilanova acrescenta: Seja muito embora o padre humilde e devoto, se não for casto, não é nada15. A todos os homens é necessária a castidade, diz Sto. Agostinho, mas principalmente aos padres16. Devem os padres ao altar por-se em relação íntima com o Cordeiro de Deus, com esse Cordeiro sem mancha, que tem o nome de Lírio e só se apascenta entre os lírios17. Por isso Jesus Cristo quis ter uma Mãe virgem, um Pai adotivo virgem — S. José — e um Precursor virgem. Foi ainda por causa da sua pureza excelsa, afirma S. Jerônimo, que João foi o discípulo predileto de Jesus18. Foi em consideração desta virtude da pureza que Jesus confiou a S. João sua divina Mãe, como confia ao padre a sua Igreja e a sua própria pessoa. Isso fez dizer a Orígenes: O padre que se aproxima dos santos altares, deve antes de tudo achar-se revestido da castidade19. E na opinião de S. João Crisóstomo, deve o padre ser bastante puro para merecer um lugar entre os anjos20. — Então, dirá alguém, quem não for virgem não poderá ser padre? — Responde S. Bernardo: Reputa-se como virgindade uma castidade antiga21.

Nada há também que a Igreja tanto se empenhe em conservar, como a pureza dos padres. Quantos Concílios e cânones que tratam desta importante matéria! Eis o que diz Inocêncio III: Não seja admitido a Ordens sacras quem não for virgem ou pelo menos de uma castidade experimentada. E acrescenta: Quanto aos que estão ordenados, se não forem castos, é necessário privá-los de todas as funções sagradas22. E S. Gregório escreveu: Ninguém deve servir ao altar, sem primeiro ter dado provas da sua castidade23.

S. Paulo dá a razão do celibato imposto aos padres, quando diz: O que está sem mulher dá toda a sua atenção às coisas do Senhor e pensa em agradar a Deus; o que porém está casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar a sua mulher; está dividido24. O que está livre dos laços do matrimônio dá-se todo a Deus, porque só o domina o pensamento de agradar a Deus; quem está ligado pelo matrimônio tem que pensar em agradar a sua esposa; ocupa-se de seus filhos e do mundo: tem assim o coração dividido e não se pode dar inteiramente a Deus. Com muita razão pois Sto. Atanásio chamava à castidade a morada do Espírito Santo, a vida dos anjos e a coroa dos santos25. Por sua vez S. Jerônimo a chama — a honra da Igreja e a glória do sacerdócio26. Com efeito, como diz Sto. Inácio mártir, deve o padre, que é casa de Deus, templo de Jesus Cristo e órgão do Espírito Santo, conservar-se puro, visto ser por seu intermédio que as almas se santificam27.

Meios para conservar a castidade

Grande é pois o valor da castidade, mas mui terrível a guerra que a carne move ao homem para lhe arrebatar esta virtude. É a carne a mais poderosa arma que o demônio possui para escravizar o homem28. Por isso, diz Sto. Agostinho29, poucos saem vitoriosos deste combate. Ó!, exclama com dor S. Lourenço Justiniano, quantos desgraçados, depois de muitos anos de solidão dum deserto, depois de orações, jejuns e austeridades, se deixaram vencer dos apetites da carne, abandonaram o retiro, perderam a castidade e o próprio Deus!30 Eis porque os padres — obrigados a uma castidade perpétua — devem por todo o cuidado em a conservar. Não serás casto, disse S. Carlos Borromeu a um eclesiástico, se não vigiares continuadamente sobre ti mesmo, porque a falta de vigilância faz perder a castidade num instante31.

Todo o cuidado a este respeito consiste no emprego dos meios para conservar esta bela virtude, meios que se reduzem a evitar tudo quanto possa acender o fogo impuro, e aplicar contra as tentações os devidos remédios.

1. A fuga da ocasião O primeiro meio consiste em fugir à ocasião. Eis o que diz S. Jerônimo: O primeiro remédio contra este vício é evitar os objetos, cuja presença nos leva para o mal32. S. Filipe de Néri dizia que nesta guerra a vitória cabe aos poltrões, isto é, aos que fogem à ocasião. No mesmo sentido se exprime Pedro de Blois: De nenhum modo se pode vencer melhor a luxúria do que pela fuga33. Grande tesouro é a graça de Deus, mas somos nós que o trazemos, em vasos mui frágeis e mui expostos a perdê-lo34. Não pode o homem adquirir a virtude da castidade, se o próprio Deus lha não der35. De nós mesmos não temos força para praticar nenhuma virtude, e muito menos a castidade, porque temos naturalmente uma inclinação violenta para o vício contrário.

Com o auxílio divino, pode o homem conservar-se casto, mas esse auxílio não o dá Deus a quem se lança na ocasião de pecar ou nela permanece por sua vontade: Quem ama o perigo há de perecer nele36.

Daí esta exortação de Sto. Agostinho: Se quereis vencer as revoltas da carne, tomai a fuga37. Ó!, — dizia S. Jerônimo nos avisos que do leito da morte deu a seus discípulos, — quantos desgraçados caíram no lodaçal da impureza, por terem a presunção de se considerarem seguros! E acrescentava: ninguém se deve julgar seguro contra este vício; embora seja um santo, está sempre sujeito a cair38.

Não é possível, diz o Sábio, caminhar sobre brasas e não se queimar39. Eis as reflexões de S. João Crisóstomo: Sois vós de pedra? Sois de ferro? Sois homem, estais sujeito à fraqueza comum de todos os homens; tomais fogo nas mãos e contais que não vos queimareis? Aproximai da palha uma luz acesa e atrevei-vos depois a dizer que não haverá incêndio. O homem é como a palha40. Impossível é pois expor-se uma pessoa voluntariamente à ocasião e não sucumbir.

Diz o Espírito Santo que é necessário fugir à vista do pecado como à vista duma serpente41. Não nos contentamos com fugir à mordedura das serpentes; evitamos até o seu contato, e nem as queremos ver de perto. Se há pessoas que nos podem ser ocasião de queda, devemos evitar até a sua presença e as suas palavras. Observa Sto. Ambrósio que o casto José nem mesmo quis escutar o que a mulher de Putífar tinha começado a dizer-lhe; fugiu logo, persuadido de que seria arriscadíssimo demorar-se a ouvi-la42. — Mas, direis talvez, eu sei o que me convém. — Escutai estas palavras de S. Francisco de Assis: "Eu sei o que deveria fazer, mas uma vez exposto à ocasião, não sei o que faria".

Examinemos as ocasiões principais que um padre deve ter cuidado de evitar, para não perder a castidade.

I. Primeiro que tudo deve guardar-se de demorar os olhos sobre objetos perigosos nesta matéria. A morte entra pelas janelas43; isto é penetra o pecado na alma pelos olhos, segundo a explicação de S. Jerônimo, S. Gregório e outros; porque, assim como para defender uma praça não basta fechar as portas, se se deixa aos inimigos uma entrada pela janela, também serão inúteis todos os outros meios de conservar a castidade, desde que não tome a precaução de fechar os olhos. Refere Tertuliano44 que um filósofo pagão se arrancara voluntariamente os olhos para se conservar casto. Este ato não é permitido a cristãos, mas, se queremos guardar a castidade, não lancemos, e sobretudo não demoremos, os nossos olhares sobre pessoas de diferente sexo. S. Francisco de Sales nos adverte que o perigo não consiste tanto em ver como em olhar com demora os objetos, que nos podem ser ocasião de tentação. E não basta isto, acrescenta S. João Crisóstomo; além de desviar os olhos das pessoas imodestas, é necessário desviá-los também das mais modestas45. Por isso Jó fez com os seus olhos o acordo de não olhar nenhuma mulher, ainda que fosse uma virgem modesta, por saber que os olhares dão origem a maus pensamentos46. É também o aviso que nos dá o Eclesiástico: Não olhes nenhuma jovem com receio de que a sua formosura te seja ocasião da queda47. Do olhar nasce o mau pensamento, diz Sto. Agostinho; do mau pensamento procede uma certa deleição carnal, embora involuntária; e a esta deleitação indeliberada sucede muitas vezes o consentimento da vontade, — assim a alma se perde48. — Mandou o Apóstolo que a mulher na igreja esteja velada, por causa dos anjos; o que o cardeal Hugues comenta nestes termos: Pelos anjos é necessário que se entendam os padres, que poderiam à sua vista sentir tentações imodestas49. Vivia S. Jerônimo na gruta de Belém, em oração contínua, a macerar a sua carne com austeridades de toda a espécie; e, apesar disso, era atormentado violentamente pela recordação das damas, que muito tempo antes tinha visto em Roma. Guiado assim pela própria experiência, escreveu ao seu caro Nepociano a dizer-lhe — que se abstivesse de olhar as mulheres e até de falar da beleza delas50. Por ter olhado com curiosidade a Betsabé, caiu Davi miseravelmente em três crimes enormes: adultério, homicídio e escândalo. Ao demônio só lhe basta que comecemos a abrir-lhe a porta; em breve levará ele a sua obra até ao fim. Um olhar demorado sobre o rosto duma jovem será uma faúla do inferno, que levará a ruína e a morte à alma. Falando particularmente dos padres, dizia o mesmo Doutor que não lhes basta evitar toda a ação impura; devem absterse até dum simples olhar51.

II. Se, para conservar a castidade, é necessário não demorar os olhares sobre pessoas de diferente sexo, mais necessário ainda é evitar a sua sociedade.

Guardai-vos de permanecer na companhia de mulheres52, diz o Espírito Santo, e dá a razão disso: é que do mesmo modo que a traça se gera na roupa, assim a corrupção dos homens tem a sua origem nas relações com as mulheres.

E assim como a tinha se produz na roupa contra a vontade do que a tem, observa o Pe. Cornélio, comentando esta passagem, também da familiaridade com mulheres nascem, sem se querer, os maus desejos. Além disto, ajunta ele, assim como a tinha se gera insensivelmente na roupa e a rói, assim a convivência com mulheres acende insensivelmente o fogo da concupiscência no coração dos homens, ainda mesmo nos que se dão às coisas espirituais53.

Santo Agostinho ameaça com uma queda próxima e inevitável nesta matéria quem não quiser evitar toda a familiaridade com objetos perigosos54.

Conta S. Gregório que o Pe. Orsino, depois de se ter separado da sua mulher e recebido com assentimento dela as santas Ordens, quando estava para morrer, passados já quarenta anos, ao aproximar ela o ouvido da sua boca, para conhecer se ainda respirava, lhe disse Orsino: Retira-te, mulher, afasta daí essa palha, porque ainda há em mim uma centelha de vida, que nos poderia consumir a ambos55. Para nos fazer tremer a todos, que mais será preciso que o triste exemplo de Salomão? Depois de ter experimentado os favores e a amizade íntima do seu Deus, depois de ter sido por assim dizer a pena do Espírito Santo, ele na velhice se deixou corromper pela influência das mulheres pagãs, chegando até a adorar os ídolos! Tornado velho, deixou- se seduzir pelas mulheres, a ponto de se dar ao culto de deuses estranhos56.

Mas que admira isto? É impossível, diz S. Cipriano, estar no meio das chamas e não se queimar57. Segundo S. Bernardo, seria menor milagre ressuscitar um morto, do que conservar a castidade, vivendo em habitual familiaridade com uma mulher58. Se quereis pois estar seguros, escutai o que vos diz o Espírito Santo: Procedei de modo que nem sequer passeis perto da casa daquela que o demônio toma como instrumento para vos tentar; afastai-vos de lá59. E, quando houver necessidade verdadeira de falardes a uma mulher, fazei-o com brevidade em termos austeros, conforme o conselho de Sto. Agostinho60. É também o aviso de S. Cipriano: Quando se houver de falar a mulheres, é necessário fazê-lo de passagem, sem demora, e como que de fugida61. Mas, dir-se-á, esta pessoa é feia; Deus me livre dela! — A isso responde S. Cipriano que o demônio é pintor; quando a concupiscência está em movimento, pode ele embelezar o rosto mais disforme62.

Mas essa pessoa é minha parenta. — Eis o que responde S. Jerônimo: Não consintais que permaneçam convosco nem mesmo as que vos estão ligadas pelo parentesco63. Por vezes o parentesco só facilita e multiplica os pecados, ajuntando o incesto à impudicícia e ao sacrilégio. Até se está mais exposto a pecar, acrescenta S. Cipriano, quando a mesma enormidade do crime afasta o temor de suspeitas64. S. Carlos Borromeu65 fez um decreto, em que proibia aos seus padres que, sem permissão sua, tivessem consigo mulheres, embora fossem suas parentas próximas.

Mas é minha penitente, e é uma pessoa santa; nada há a temer. — Nada há a temer? Ilusão, diz Santo Tomás: quanto mais santa é vossa penitente, mais deveis temer, e evitar toda a familiaridade com ela; porque as mulheres, quanto mais piedosas e dadas à espiritualidade, mais sedutoras são66. Dizia o venerável Pe. Sertório Caputo, como lemos na sua Vida, que o demônio começa por inspirar apego à virtude e procura assim afastar o temor do perigo; depois, faz conceber afeição pela pessoa; por último, tenta e arremessa ao abismo. É o sentir de Sto. Tomás: "É sempre perigosa a afeição carnal, mas mais perniciosa quando tem por objeto uma pessoa devota; podem os começos ser inocentes, mas a familiaridade é um perigo de todos instantes; na medida em que essa familiaridade vai aumentando, enfraquece-se a pureza do motivo principal, que lhe tinha dado origem"67. Acresce que o demônio sabe muito bem esconder o perigo: a princípio não arremessas flechas que pareçam envenenadas, mas que avivem a afeição, fazendo no coração pequenas feridas; pouco depois essas pessoas assim dispostas já não procedem entre si como anjos, como a princípio, mas como seres revestidos de carne; não são imodestos os olhares, mas mais freqüentes de parte a parte; as palavras parecem espirituais, mas são demasiado ternas; depois desejam encontrar-se muitas vezes. E é assim, conclui o santo Doutor, que o apego espiritual se torna carnal68. Aponta S. Boaventura69 cinco sinais pelos quais se pode reconhecer quando é que a afeição de espiritual se torna carnal:
1.º - Quando há entretenimentos longos e inúteis; e, desde que são longos, são sempre inúteis.
2.º - Quando há olhares e elogios recíprocos.
3.º - Quando um desculpa os defeitos do outro.
4.º - Quando se deixam perceber pequeninos ciúmes.
5. º - Quando o afastamento causa inquietação.

Tremamos; somos de carne. O bem-aventurado Jurdano repreendeu fortemente um dia um dos seus religiosos, por ter dado a mão a uma mulher, ainda que sem má intenção; e, tendo-lhe o religioso observado que era uma pessoa virtuosa, respondeu-lhe: "A chuva é boa e a terra também, mas misturadas fazem lama". Esta mulher é santa e este homem é santo; mas, se se põem na ocasião, ambos se perdem. "Choca o forte com o forte e ambos caem"70. É sabido o caso funesto de que fala a História eclesiástica. Uma santa mulher, que tinha o costume de recolher os cadáveres dos santos mártires, para lhes dar sepultura, encontrou certo dia um, que tinham deixado por morto, mas que ainda conservava alguma vida. Fê-lo transportar para sua casa, onde lhe restituiu a saúde, à custa dos seus cuidados; mas que aconteceu? A convivência fez-lhes perder a castidade e a graça de Deus.

Tais casos infelizmente não são raros. Quantos padres, muito piedosos a princípio, acabaram por perder a piedade e o próprio Deus, em razão de se terem deixado prender pouco a pouco de afeições espirituais! Santo Agostinho nos afirma ter conhecido muitos e grandes prelados, que ele não tinha em menor estima que a um S. Jerônimo e a um Sto. Ambrósio, e haviam sucumbido em ocasião semelhantes71. Assim, S. Jerônimo escreveu a Nepociano: Não te fies da tua castidade passada; quando te encontrares a sós, sem testemunha, com uma mulher, não te demores de nenhum modo72.

Santo Isidoro de Pelusa, exprime-se no mesmo sentido: Se a necessidade vos obriga a falar, conservai os olhos baixos; dizei somente o preciso, e apressai-vos a fugir73. O Pe. Pedro Consolini, do Oratório, dizia que com as mulheres, mesmo comas mais virtuosas, se deve exercer a caridade como com as almas do Purgatório: de longe e sem olhar para elas. Dizia mais este bom padre, que é muito útil aos sacerdotes, nas tentações contra a castidade, considerarem a sua dignidade. Contava a este propósito que um Cardeal, ao ser assaltado de pensamentos impuros, olhava o seu barrete, e refletia na dignidade de que se achava revestido, dizendo: "Recomendo-me a ti, meu caro barrete". Assim triunfava na da tentação.

III. Além da companhia de mulheres, quaisquer que elas sejam, deve evitar-se também a de homens que se comportem mal. Torna-se o homem semelhante àqueles que freqüenta, dizia S. Jerônimo74. É escuro e escorregadio o caminho da vida presente — Lubricum in tenebris; — se temos um mau companheiro que nos impele para o precipício, estamos perdidos. Conta S. Bernardino de Sena75 ter conhecido uma pessoa que vivera trinta e oito anos na inocência e na virgindade; tendo então ouvido nomear uma certa impureza, precipitou-se em desregramentos tais, que o demônio, diz o Santo, não se entregaria a semelhantes torpezas, se tivesse corpo.

IV. Necessitamos ainda evitar a ociosidade, se queremos permanecer castos. Adverte-nos o Espírito Santo que a ociosidade ensina a cometer muitos pecados76. E o profeta Ezequiel diz que a ociosidade foi a causa dos crimes abomináveis dos habitantes de Sodoma, e por fim a sua total ruína77. Como nota S. Bernardo, foi também ela a causa da queda de Salomão78. Por isso S. Jerônimo exortava Rústico a viver de modo que o demônio, quando viesse a tentá-lo o encontrasse sempre ocupado79. Quem se dá ao trabalho, acrescenta S. Boaventura, não será tentado senão por um demônio, ao passo que quem se der à ociosidade será muitas vezes assaltado por um grande número80.

2. A mortificação

Vimos acima quanto é necessário, para conservar a castidade, fugir à ocasião e à ociosidade; vejamos agora o que importa fazer. Em primeiro lugar, deve-se praticar a mortificação dos sentidos. É uma ilusão, diz S. Jerônimo, tentar viver no meio dos prazeres, sem cair nos vícios a que eles dão origem81. Quando o Apóstolo era atormentado pelo aguilhão da carne, encontrava auxílio e remédio nas mortificasses do corpo: Castigo o meu corpo e faço dele um escravo82. A carne que não é mortificada só dificilmente se sujeita ao espírito. Conserva-se a castidade no meio das mortificasses, como um lírio no meio dos espinhos83.

Para permanecer casto, é necessário principalmente evitar toda a intemperança na comida e na bebida. Não deis vinho aos reis84. Quem beber em excesso, sem dúvida experimentará muitos movimentos sensuais. Assim lhe será difícil dominar a sua carne e conservar a castidade, segundo o doutrina de S. Jerônimo: Dum estômago aquecido pelo vinho, levantam-se os vapores impuros da luxúria85; porque o vinho no dizer do profeta Oséas, faz perder ao homem a razão e degrada-o à condição de bruto86. O Anjo, ao contrário, disse de S. João Baptista: Não beberá nem vinho, nem licores inebriantes e será cheio do Espírito Santo87. Alguém dirá talvez que precisa do vinho, por causa da fraqueza do seu estômago; seja assim, mas beba com moderação que o Apóstolo manda a Timóteo: Em razão da fraqueza do teu estômago e das tuas indisposições freqüentes, usa dum pouco de vinho88.

É também necessário evitar todo o excesso de comida. Dizia S. Jerônimo que a imoderação na comida é uma das causas da impudicícia89. Do mesmo modo S. Boaventura: A luxúria alimenta-se da glutoneria90. Ao contrário, o jejum reprime os vícios e favorece as virtudes: é o que a Igreja nos ensina91. Segundo Sto. Tomás, quando o demônio se vê vencido numa tentação de gula, já desiste de tentar pela impureza92.

3. A humildade

É preciso mais praticar a humildade. Segundo Cassiano, quem não é humilde, não pode ser casto93. Não é raro que Deus castigue os orgulhosos, permitindo que caiam nalguma falta vergonhosa; tal foi a causa da queda de Davi, como ele próprio confessa: Pequei antes de ser humilhado94. É pela humildade que se obtém a castidade, diz S. Bernardo95. E antes dele tinha dito Sto. Agostinho: O guarda da pureza é o amor de Deus; mas é humildade a morada em que este guarda habita96. — Segundo S. João Clímaco, quem nos combates contra a carne quer vencer somente pela continência, assemelha-se ao náufrago que tentasse salvar-se, nadando com uma só mão. É necessário ajuntar a humildade à continência97.

4. A oração

Acima de tudo, para obter a virtude da castidade, é preciso orar, e orar sempre. Já noutro lugar fica dito, que não se pode adquirir nem conservar a castidade sem o socorro da graça, e este não o concede o Senhor senão aos que lho pedem98. Ensina-nos o Senhor que, para os adultos, a oração é de necessidade de meio, segundo a linguagem das Escrituras99. Por isso o Doutor angélico diz: Depois do batismo, é necessária ao homem a oração contínua100.

E se, para praticar qualquer virtude, é necessário o auxílio do Céu, para conservar a castidade, requere-se um socorro mais poderoso, em razão da propensão violenta que o homem tem para o vício contrário. É impossível ao homem, diz Cassiano, manter-se na castidade por suas próprias forças e sem a assistência divina101. Neste combate pois, acrescenta Abelly, precisa de solicitar com instância o socorro de Deus102. Daí o aviso de S. Cipriano, — que o primeiro meio para obter a castidade é pedir a assistência de Deus103. Foi o que o próprio Salomão declarou: Sabendo eu que não podia possuir este tesouro se Deus mo não desse, — e era já sabedoria o conhecer de quem me advém este dom, — apresentei-me diante do Senhor, e roguei-lhe, e disse-lhe do íntimo do meu coração...104

Apenas sentirmos pois os primeiros estímulos da carne, que o demônio despertar em nós, é necessário, diz S. Cipriano, resistir logo, e não permitir que o reptilzinho se torne em serpente, isto é, que a tentação aumente105. O mesmo conselho dá S. Jerônimo: Não deixeis avolumar o pensamento perigoso; matai o inimigo enquanto é pequeno106. Quando o leão é grande, não é fácil matá-lo como em pequeno.

Tomemos pois cautela nesta matéria, não nos demoremos a raciocinar com a tentação; apressemo-nos a repeli-la sem exame. Como ensinam os mestres da vida espiritual, o melhor meio de vencer as tentações da carne não é combatendo-as diretamente frente a frente, com demora no mau pensamento, fazendo produzir à vontade atos contrários; é antes indiretamente com atos de amor de Deus ou de contrição, ou pelos menos fazendo derivar o pensamento para outra coisa.

O meio principal é recorrer então a Deus pela oração: é bom, logo aos primeiros movimentos da impureza, renovar o propósito firme de antes morrer do que pecar; e imediatamente depois é necessário recorrer às chagas de N. Senhor Jesus Cristo. Assim o têm praticado os santos que, sendo de carne como nós, estavam sujeitos às mesmas tentações, e foi assim que as venceram. Quando um pensamento vergonhoso se me apresenta ao espírito, dizia Sto. Agostinho, recorro às chagas de N. Senhor Jesus Cristo. Está-se em repouso e segurança nas chagas do Salvador107. Também Sto. Tomás triunfou das provocações, duma mulher impudica, dizendo: Senhor Jesus e santíssima Virgem Maria, não me abandoneis!108

Demais, é então muito útil fazer o sinal da cruz sobre o peito, invocar o Anjo da guarda e o próprio patrono. Acima de tudo porém, importa não cessar de repetir os nomes santíssimos de Jesus Cristo e de sua divina Mãe, até que a tentação seja vencida. Ó!, que força a dos nomes de Jesus e Maria contra os assaltos da impudicícia!

Entre todas as devoções próprias para conservar a castidade, a mais útil é a devoção à santíssima Virgem, que é chamada a Mãe do belo amor e a Guarda da virgindade. É uma prática muito eficaz recitar todos os dias, ao levar e ao deitar, três A. M. em honra da pureza de Maria.

Conta o Pe. Segneri109 que um dia um pecador, todo impureza, fôra confessar-se ao Pe. Nicolau Zucchi, da Cia. de Jesus. Recomendou-lhe este, como remédio, que fosse pontual em rezar todos os dias, de manhã e à noite, uma A. M. à pureza da santíssima Virgem. Muitos anos depois, tendo esse penitente feito diversas viagens, voltou aos pés do mesmo Padre e mostrou-se de todo corrigido. Perguntou-lhe o padre como se tinha emendado: "Foi o fruto da pequena devoção que me ensinastes".

Com permissão do penitente, o Pe. Zucchi um dia narrou o fato da cadeira. Estava presente um militar, que vivia em relações criminosas; ouviu e começou a praticar todos os dias a mesma devoção; pouco depois, com socorro de Maria, teve coragem para se corrigir. Um dia, movido por um falso zelo, foi procurar a cúmplice das suas desordens, no intuito de a converter; mas, ao entrar na casa, sentiu-se fortemente repelido, e encontrou-se num lugar muito distanciado. Deu então graças à sua Benfeitora, reconhecendo que era por uma graça especial de Maria, que tinha sido impedido de se encontrar com aquela mulher; porque facilmente teria recaído, desde que se tivesse exposto à ocasião.

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1. Omnis autem ponderatio non est digna continentis animae (Eccl. 26, 20).
2. De Castit.
3. De Mor. et Off. Ep. c. 3.
4. Castitas angelos facit: qui eam servavit, angelus est; qui perdidit, diabolus (De Virg. l. 1).
5. Et erunt sicut angeli Dei (Matth. 22, 30).
6. Hujus virtutis merito, homines angelis aequantur (De Caenob. Inst. l. 6. c. 6).
7. Differunt quidem inter se angelus et homo pudicus, sed felicitate non virtute; sed, etsi illius
castitas felicior, hujus tamen fortior esse cognoscitur (De Mor. et Off. Ep. c. 3).
8. Pudicitia Hominem Deo simillimum facit (De Vera Virginit.).
9. Si in figura tanta observantia, quanta in veritate (De Off. l. 1. c. 50).
10. Nec accedet ad ministerium ejus... si albuginem habens in oculo, si jugem scabiem (Lev.21, 18).
11. Jugem habet scabiem, cui carnis petulantia dominatur (Past. p. 1. c. 11).
12. Ne contagione aliqua eorum castitas labefactetur.
13. O grandis christianorum miseria! ecce pagani doctores fidelium facti sunt! (Ad Fr. in er. s.37).
14. Soli qui puram agunt vitam, sunt Dei sacerdotes (Strom. l. 4).
15. Sit humilis sacerdos, sit devotus; si non est castus, nihil est (De D. Aug. conc. 3).
16. Omnibus castitas necessaria est, sed maxime ministris Christi altaris (Serm. 291. E. B.app.).
17. Lilium convallium. — Qui pascitur inter lilia (Cant. 2, 1-16).
18. Prae caeteris discipulis diligebat Jesus Joannem, propter praerogativam castitatis.
19. Ante omnia, sacerdos, qui divinis assistit altaribus, castitate debet accingi (In Lev. hom.)
20. Necesse est sacerdotem sic esse purum, ut, si in ipsis coelis esset collocatus, inter coelestes illas virtutes medius staret (De Sacerd. l. 3.).
21. Longa castitas pro virginitate reputatur (De Modo b. viv. c. 22).
22. Nemo ad sacrum Ordinem permittatur accedere, nisi aut virgo aut probatae castitatis existat. Eos qui in sacris Ordinibus sunt positi, si caste non vixerint, excludendos ab omni graduum dignitate (Cap. A multis. de act. et quo. Ord.).
23. Nullus debet ad ministerium altaris accedere, nisi cujus castitas ante susceptum ministerium fuerit approbata (Epist. l. 1. ep. 42).
24. Qui sine uxore est, sollicitus est quae Domini sunt, quomodo placeat Deo; qui autem cum uxore est, sollicitus est quae sunt mundi, quomodo placeat uxori, et divisus est (1. Cor. 7, 32).
25. O pudicitia, domicilium Spiritus Santi, angelorum vita, sanctorum corona (De Virginit.).
26. Ornamentum Ecclesiae Dei, corona illustrior sacerdotum.
27. Teipsum castum custodi, ut domum Dei, templum Christi, organum Spiritus Sancti (Ep. Ad Heron.).
28. Fortitudo ejus in lumbis ejus (Job. 40, 11).
29. Inter omnia certamina, sola duriora sunt praelia castitatis, ubi quotidiana est pugna, et rara victoria (Serm. 293. E. B. app.).
30. Quanti, post frequentes orationes, diutissimam eremi habitationem, cibi potusque parcitatem, seducti spiritu fornicationis, deserta relinquentes, duplici interitu perierunt! (De spir. an. Int. l. 1).
31. Mirum est quam facile ab iis deperdatur, qui ad ejus conservationem non invigilant.
32. Primum hujus vitii remedium est longe fieri ab eis quorum praesentia alliciat ad malum.
33. Nunquam luxuria facilius vincitur, quam fugendo (Serm. 45).
34. Habemus autem thesaurum istum in vasis fictilibus (2. Cor. 4, 7).
35. Scivi quoniam aliter non possem esse continens, nisi Deus det (Sap. 8, 21).
36. Qui amat periculum, in illo peribit (Eccli. 3, 27).
37. Contra libidinis impetum, apprehende fugam, si vis obtinere victoriam (Serm. 293. E. B.app.).
38. Plurimi sanctissimi ceciderunt hoc vitio propter suam securitatem. Nullus in hoc confidat. Si sanctus est, nec tamen securus es (Eusèbe. Ep. ad. Dam. de morte Hier.).
39. Numquid potest homo... ambulare super prunas, ut non comburantur plantae ejus? (Prov.6, 27).
40. Num tu saxeus es, num ferreus? Homo es, communi naturae imbecillitati obnoxius; ignem capis, nec ureris? Lucernam in feno pone, actum aude negare quod fenum uratur. Quod fenum est, hoc natura nostra est (In Ps. 50. hom. 1).
41. Quasi a facie colubri, fuge peccata (Eccli. 21, 2).
42. Ne ipsa quidem verba diu passus est; contagium enim judicavit, si diutius moraretur (De S. Jos. c. 5).
43. Ascendit mors per fenestras (Jer. 9, 21).
44. Apologia, c. 46.
45. Animus feritur et commovetur, non impudicae tantum intuitu, sed etiam pudicae (De Sacerd. l. 6).
46. Pepigi foedus cum oculis meis, ut ne cogitarem quidem de virgine (Job. 31, 1).
47. Virginem ne conspicias, ne forte scandalizeris in decore illius (Eccli 9, 5).
48. Visum sequitur cogitatio, cogitationem delectatio delectationem consensus.
49. "Propter angelos", id est, sacerdotes, ne, in ejus faciem nspicientes, moverentur ad libidinem (In 1. Cor. 11, 10).
50. Officii tui est, non solum oculos castos custodire, sed et linguam; numquam de formis mulierum disputes (Ep. ad Nepot.).
51. Pudicitia sacerdotalis non solum ab opere se immundo abstineat, sed etiam a jactu oculi sit libera (In Tit. 1).
52. In medio mulierum noli commorari. — De vestimentis enim procedit tinea, et a muliere iniquitas viri (Eccli. 42, 12).
53. Sicut tibi nihil tale volenti nascitur in veste et e veste tinea, ita nihil tale volenti nascitur ex femina desiderium. — Tinea insensibiliter in veste nascitur, et eam erodit; sic insensibiliter ex conversatione cum muliere oritur libido, etiam inter religiosos.
54. Sine ulla dubitatione, qui familiaritatem non vult vitare suspectam, cito labitur in ruinam (Serm. 293. E. B. app).
55. Recede, mulier, adhuc igniculus vivit palleam tolle (Diol. l. 4. c. 11).
56. Cumque jam esset senex, depravatum est cor ejus per mulieres, ut sequeretur deos alienos (3. Reg. 11, 4).
57. Impossibile est flammis circumdari, et non ardere (De Singular. cler.).
58. Cum femina semper esse, et non cognoscere feminam, nonne plus est quam mortuum suscitare? (In Cant. s. 65).
59. Longe fac ab ea viam tuam, et ne appropinques foribus domus ejus (Prov. 5, 8).
60. Cum feminis, sermo brevis et rigidus.
61. Transeunter feminis exhibenda est accessio, quodammodo fugitiva (De Singular. cler.).
62. Diabolus, pingens, speciosum efficit quidquid horridum fuerit.
63. Prohibe tecum morari, etiam quae de genere tuo sunt (Ep. ad Ocean.).
64. Magis illicito delinquitur, ubi sine suspicione securum potest esse delictum.
65. Acta Mediol. p. 2. syn. 4. Monit.
66. Sermo brevis et rigidus cum mulieribus est habendus; nec tamen, quia sanctiores fuerint, ideo minus cavendae; quo enim sanctiores fuerint, eo magis alliciunt (De Modo confit.).
67. Licet carnalis affectio sit omnibus periculosa, eis tamen perniciosa est magis, quando conversantur cum persona quae spiritualis videtur; nam, quamvis eorum principium videatur esse purum, frequens tamen familiaritas domesticum est periculum; quae quidem familiaritas quanto plus crescit, tanto plus infirmatur principale motivum, et puritas maculatur.
68. Sicque spiritualis devotio convertitur in carnalem (De Modo confit.).
69. De Profectu Rel. l. 2. c. 27.
70. Fortis impegit in fortem, et ambo pariter conciderunt (Jer. 46, 12).
71. Magnos praelatos Ecclesiae sub hac specie corruisse reperi, de quorum casu non magis praesumebam, quam Hieronymi et Ambrosii (S. Thomas. De Modo confit.).
72. Ne in praeterita castitate confidas; solus cum sola, absque teste, non sedeas.
73. Si cum ipsis conversari necessitas te obstringat, oculos humi dejectos habe; cumque pauca locutus fueris, statim avola (Lib. 2. ep. 284).
74. Talis efficitur homo, qualium societate fruitur (Eusèbe, De Morte Hier.).
75. T. III. Serm. extr. s. 13. n. 6.
76. Multam enim malitiam docuit otiositas (Eccli. 33, 29).
77. Haec fuit iniquitas Sodomae... otium ipsius (Ezech. 16, 49).
78. Cedet libido laboribus, cedet operi (De cont. m. de Lab.).
79. Facito aliquid operis, ut te semper diabolus inveniat occupatum (Ep. ad Rust.).
80. Occupatus ab uno daemone impugnatur; otiosus ab innumeris vastatur (De Prof. rel. l. 1. c. 39).
81. Si quis existimat posse versari in deliciis, et deliciorum vitiis non teneri, seipsum decipit (Adv. Iovin. l. 2).
82. Castigo corpus meum, et in servitutem redigo (1. Cor. 9, 27).
83. Sicut lilium inter spinas, sic amica mea inter filias (Cant. 2. 2).
84. Noli regibus dare vinum (Prov. 31, 4).
85. Venter enim mero aestuans despumat in libidinem (Reg. Mon. de Abst.).
86. Vinum et ebrietas auferunt cor (Os. 4, 11).
87. Vinum et siceram non bibet, et Spiritu Sancto replebitur (Luc. 1, 15).
88. Modico vino utere, propter stomachum tuum et frequentes tuas infirmitates (1. Tim. 5, 23).
89. Ad Jovin. l. 2.
90. Luxuria nutritur a ventris ingluvie (De Prof. rel. l. 2. c. 52).
91. Deus, qui, corporali jejunio, vitia comprimis, mentem elevas, virtutem largiris et praemia.
92. Diabolus, victus de gula, non tentat de libidine.
93. Castitatem apprehendi non posse, nisi prius humilitatis in corde fundamenta fuerint collocata (De Coenob. inst. l. 6. c. 18).
94. Priusquam humiliarer, ego deliqui (Ps. 118, 67).
95. Ut castitas detur, humilitas meretur (De Mor. et Off. Ep. c. 5).
96. Custos virginitatis, charistas; locus hujus custodis, humilitas (De S. Virginit. c. 51).
97. Qui sola continentia bellum hoc superare nititur, similis est ei qui, una manu natans, pelago liberari contendit; sit ergo humilitas continentiae conjuncta (Scala spir. gr. 15).
98. Oportet semper orare, et non deficere (Luc. 18, 1).
99. Petite et dabitur vobis (Matth. 7, 7).
100. Post baptismum, necessaria est homini jugis oratio (P. 3. q. 39. a. 5).
101. Impossibile est hominem suis pennis ad tam praecelsum coelesteque praemium subvolare, nisi eum gratia Domini de terrae coeno evexerit (De Coenob. inst. l. 6. c. 6).
102. Idcirco, juxta Sapientis monitum (Sap. 8, 21), adeundus est Dominus, et ex totis praecordiis deprecandus (Sac. Chr. p. 3. c. 14).
103. Inter haec, imo et ant haec omnia, de divinis castris auxilium petendum est (De Disc. et Bono pudic.).
104. Et ut scivi quoniam aliter non possem esse continens, nisi Deus det, et hoc ipsum erat sapientiae, scire cujus esset hoc donum, adii Dominum et deprecatus sum illum, et dixi ex totis praecordiis meis (Sap. 8, 21).
105. Primis diaboli titillationibus obviandum est, nec foveri debet coluber donec in draconem formetur (De Jej. et Tent. Chr.).
106. Nolo sinas cogitationem crescere; dum parvus est hostis, interfice (Ep. ad Eustoch.).
107. Cum me pulsat aliqua turpis cogitatio, recurro ad vulnera Christi. Tuta requies in vulneribus Salvatoris (Manual c. 22, 21). 108. Ne sinas, Domine Jesu, et sanctissima Virgo Maria! (Surius, 7 mart.).
109. Crist. istr. p. 3. r. 34 § 2.


A SELVA (SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO).

Fonte: Arena da Teologia 

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